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Do mosteiro ao palácio · 1511 – 1910

História do Palácio da Pena e de D. Fernando II

A Pena não foi construída por um rei português. Foi construída por um príncipe alemão casado com uma rainha portuguesa, sobre as ruínas de um mosteiro, vinte e cinco anos antes do Neuschwanstein bávaro.

  • Mosteiro 1511
  • Terramoto 1755
  • Palácio desde 1838
  • UNESCO 1995
Fachada amarela do Palácio da Pena, com merlões e azulejos, vista do pátio

Bilhetes e visitas disponíveis

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A história do Palácio da Pena tem duas metades muito distintas, e o edifício conta as duas ao mesmo tempo. A primeira é religiosa e dura três séculos. A segunda é romântica, política e dura setenta anos. O que hoje se visita é o encaixe de uma na outra.

Cronologia

  1. Séc. XV

    A capela na serra

    Existe no local uma capela dedicada a Nossa Senhora da Pena, ponto de peregrinação no alto da serra de Sintra.

  2. 1511

    O mosteiro hieronimita

    D. Manuel I manda erguer no local um mosteiro da Ordem de São Jerónimo, com capacidade para cerca de dezoito monges. É desta fase o claustro manuelino que ainda hoje se percorre.

  3. c. 1529

    O retábulo de Chanterene

    Nicolau Chanterene executa o retábulo da capela em alabastro e mármore, encomendado por D. Manuel I. É a peça de arte mais antiga e mais valiosa do conjunto.

  4. 1755

    O terramoto

    O sismo de 1 de novembro arrasa o mosteiro. A capela e o claustro sobrevivem, parcialmente danificados; o resto fica em ruínas e assim permanece durante décadas.

  5. 1834

    A extinção das ordens religiosas

    Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, a propriedade passa para o Estado e é posta à venda.

  6. 1838

    D. Fernando II compra as ruínas

    Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, rei consorte de D. Maria II e primo de Alberto de Inglaterra, adquire o mosteiro em ruínas e a serra em redor. Inicia de imediato a reconstrução.

  7. 1840–1854

    A construção do palácio

    O barão Wilhelm Ludwig von Eschwege dirige a obra. O programa mistura referências neogóticas, neomanuelinas, neomouriscas e neorrenascentistas — a linguagem do Romantismo europeu aplicada a um local português.

  8. Anos 1840

    A plantação do parque

    Em paralelo, Fernando II manda plantar 85 hectares de jardim sobre rocha nua, com espécies trazidas de todo o mundo. É um dos primeiros parques de aclimatação da Europa.

  9. 1869

    A Condessa d’Edla

    Viúvo, Fernando II casa com Elise Hensler, cantora de ópera suíço-americana, que recebe o título de Condessa d’Edla. O casal manda construir o Chalet no extremo oeste do parque.

  10. 1885

    Morte de D. Fernando II

    O palácio passa por herança à Condessa d’Edla e é depois adquirido pelo Estado português, mantendo-se em uso pela família real.

  11. 1910

    O fim da monarquia

    Com a implantação da República, a rainha D. Amélia parte para o exílio. O palácio é classificado como monumento nacional e transformado em museu. Muitas salas ficam tal como foram deixadas.

  12. 1995

    Património Mundial

    A Paisagem Cultural de Sintra é inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO, com o Palácio da Pena como centro simbólico.

Quem foi D. Fernando II

Fernando Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha nasceu em Viena em 1816 e chegou a Portugal aos vinte anos, para casar com a rainha D. Maria II. Nunca reinou por direito próprio — foi rei consorte, e regente durante um curto período — mas teve uma influência cultural que nenhum monarca português do século XIX igualou.

Era desenhador, aguarelista, gravador e ceramista. Interessava-se por botânica, por conservação de monumentos e por ópera. Ficou conhecido como “o rei-artista”, e a Pena é o seu manifesto: não uma residência de aparato, mas uma composição total em que arquitetura, jardim e paisagem foram pensados como uma só obra.

A comparação com o rei Luís II da Baviera é inevitável, mas a ordem cronológica é o contrário do que muita gente supõe: a Pena começou em 1838; o Neuschwanstein só em 1869.

Porque é que o palácio é daquelas cores

O amarelo, o vermelho e o cinza-lilás não são uma escolha contemporânea nem uma invenção turística. Correspondem à policromia original oitocentista, documentada em fontes de época.

Durante grande parte do século XX o palácio esteve pintado de um cinzento uniforme, resultado da degradação das tintas e de opções de restauro posteriores. A reposição das cores fez-se a partir dos anos 1990, com base em análises estratigráficas das camadas de tinta. Quem visitou a Pena antes disso viu um edifício muito diferente — e muito menos parecido com o que Fernando II construiu.

Visitas com guia e visitas teatralizadas

Formatos que aprofundam a história do palácio e da família real.

  • Palácio Nacional da Pena e Parque: tour guiado

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    Duração
    01h 30m
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Perguntas frequentes

Quem mandou construir o Palácio da Pena?

D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha, rei consorte de D. Maria II, que comprou as ruínas do mosteiro em 1838 e iniciou a reconstrução como palácio de verão da família real.

Em que ano foi construído o Palácio da Pena?

A construção começou em 1838, depois da compra das ruínas, e a fase principal decorreu entre 1840 e 1854, sob direção do barão von Eschwege. O local já tinha um mosteiro hieronimita desde 1511.

O que existia antes do palácio?

Um mosteiro da Ordem de São Jerónimo, mandado erguer por D. Manuel I em 1511, destruído pelo terramoto de 1755. O claustro manuelino e a capela sobreviveram e foram integrados no palácio.

O Palácio da Pena inspirou o Neuschwanstein?

A Pena é anterior: começou em 1838, contra 1869 do castelo bávaro. Ambos partilham a mesma matriz do Romantismo europeu, mas não há relação direta documentada entre os dois projetos.

Quem viveu no Palácio da Pena?

D. Fernando II, a Condessa d’Edla e, mais tarde, a família real portuguesa, incluindo D. Carlos e D. Amélia. A rainha D. Amélia partiu para o exílio em 1910, com a implantação da República.

Porque é que o palácio é amarelo e vermelho?

É a policromia original do século XIX, reposta a partir dos anos 1990 com base em análises das camadas de tinta. Durante grande parte do século XX o edifício esteve pintado de cinzento.

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