Palácio Nacional da Pena e Parque: tour guiado
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Do mosteiro ao palácio · 1511 – 1910
A Pena não foi construída por um rei português. Foi construída por um príncipe alemão casado com uma rainha portuguesa, sobre as ruínas de um mosteiro, vinte e cinco anos antes do Neuschwanstein bávaro.
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A história do Palácio da Pena tem duas metades muito distintas, e o edifício conta as duas ao mesmo tempo. A primeira é religiosa e dura três séculos. A segunda é romântica, política e dura setenta anos. O que hoje se visita é o encaixe de uma na outra.
Séc. XV
Existe no local uma capela dedicada a Nossa Senhora da Pena, ponto de peregrinação no alto da serra de Sintra.
1511
D. Manuel I manda erguer no local um mosteiro da Ordem de São Jerónimo, com capacidade para cerca de dezoito monges. É desta fase o claustro manuelino que ainda hoje se percorre.
c. 1529
Nicolau Chanterene executa o retábulo da capela em alabastro e mármore, encomendado por D. Manuel I. É a peça de arte mais antiga e mais valiosa do conjunto.
1755
O sismo de 1 de novembro arrasa o mosteiro. A capela e o claustro sobrevivem, parcialmente danificados; o resto fica em ruínas e assim permanece durante décadas.
1834
Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, a propriedade passa para o Estado e é posta à venda.
1838
Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, rei consorte de D. Maria II e primo de Alberto de Inglaterra, adquire o mosteiro em ruínas e a serra em redor. Inicia de imediato a reconstrução.
1840–1854
O barão Wilhelm Ludwig von Eschwege dirige a obra. O programa mistura referências neogóticas, neomanuelinas, neomouriscas e neorrenascentistas — a linguagem do Romantismo europeu aplicada a um local português.
Anos 1840
Em paralelo, Fernando II manda plantar 85 hectares de jardim sobre rocha nua, com espécies trazidas de todo o mundo. É um dos primeiros parques de aclimatação da Europa.
1869
Viúvo, Fernando II casa com Elise Hensler, cantora de ópera suíço-americana, que recebe o título de Condessa d’Edla. O casal manda construir o Chalet no extremo oeste do parque.
1885
O palácio passa por herança à Condessa d’Edla e é depois adquirido pelo Estado português, mantendo-se em uso pela família real.
1910
Com a implantação da República, a rainha D. Amélia parte para o exílio. O palácio é classificado como monumento nacional e transformado em museu. Muitas salas ficam tal como foram deixadas.
1995
A Paisagem Cultural de Sintra é inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO, com o Palácio da Pena como centro simbólico.
Fernando Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha nasceu em Viena em 1816 e chegou a Portugal aos vinte anos, para casar com a rainha D. Maria II. Nunca reinou por direito próprio — foi rei consorte, e regente durante um curto período — mas teve uma influência cultural que nenhum monarca português do século XIX igualou.
Era desenhador, aguarelista, gravador e ceramista. Interessava-se por botânica, por conservação de monumentos e por ópera. Ficou conhecido como “o rei-artista”, e a Pena é o seu manifesto: não uma residência de aparato, mas uma composição total em que arquitetura, jardim e paisagem foram pensados como uma só obra.
A comparação com o rei Luís II da Baviera é inevitável, mas a ordem cronológica é o contrário do que muita gente supõe: a Pena começou em 1838; o Neuschwanstein só em 1869.
O amarelo, o vermelho e o cinza-lilás não são uma escolha contemporânea nem uma invenção turística. Correspondem à policromia original oitocentista, documentada em fontes de época.
Durante grande parte do século XX o palácio esteve pintado de um cinzento uniforme, resultado da degradação das tintas e de opções de restauro posteriores. A reposição das cores fez-se a partir dos anos 1990, com base em análises estratigráficas das camadas de tinta. Quem visitou a Pena antes disso viu um edifício muito diferente — e muito menos parecido com o que Fernando II construiu.
Formatos que aprofundam a história do palácio e da família real.
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D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha, rei consorte de D. Maria II, que comprou as ruínas do mosteiro em 1838 e iniciou a reconstrução como palácio de verão da família real.
A construção começou em 1838, depois da compra das ruínas, e a fase principal decorreu entre 1840 e 1854, sob direção do barão von Eschwege. O local já tinha um mosteiro hieronimita desde 1511.
Um mosteiro da Ordem de São Jerónimo, mandado erguer por D. Manuel I em 1511, destruído pelo terramoto de 1755. O claustro manuelino e a capela sobreviveram e foram integrados no palácio.
A Pena é anterior: começou em 1838, contra 1869 do castelo bávaro. Ambos partilham a mesma matriz do Romantismo europeu, mas não há relação direta documentada entre os dois projetos.
D. Fernando II, a Condessa d’Edla e, mais tarde, a família real portuguesa, incluindo D. Carlos e D. Amélia. A rainha D. Amélia partiu para o exílio em 1910, com a implantação da República.
É a policromia original do século XIX, reposta a partir dos anos 1990 com base em análises das camadas de tinta. Durante grande parte do século XX o edifício esteve pintado de cinzento.